sábado, 9 de outubro de 2010

Caluda

Alone by Polasko
Silêncio, cala essa boca que ninguém te quer ouvir.
        Cala essa boca. Ninguém quer ouvir os teus lamentos, sobre onde estás, sobre onde preferias estar, sobre o que preferias beber, o que preferias vestir. Ninguém vai saber a tua dor, e quando chorares ninguém há-de cá estar. Ninguém quis saber de ti quando querias amigos, quando precisavas de alguém, 
porque tu não és ninguém.
Calou! Ninguém te dá ordens nem ninguém te chateia, nem ninguém quer saber do que sentes, 
porque tu estás só. 
Por conta disso, não tens em quem mandar, nem tens quem te oiça, nem tens criados que te sirvam nem quem te bajule. És triste. Resume-te à tua insignificância. Eu sei que tu bem tentas, e queres ser alguém, e queres ter amigos mas o que és tu senão a sombra do passado?
O teu dia vai chegar, não te preocupes. Eu sei que no fim de tudo, hás de encontrar alguém. Eu sou a esperança que mantens, sou a promessa de dias melhores.
Eu não acredito em ti. Por mim, nunca hás de ser nada! Porquê?
porque tu não és ninguém.
porque tu estás só.

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