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terça-feira, 30 de junho de 2009

Agosto 2007

Como tenho saudades tuas... Tuas e das tuas ruas, das tuas esquinas e dos teus passeios, dos jardins com flores intocáveis às mãos das pessoas educadas. Como tenho saudades de vocês, amigos, pessoas respeitáveis e respeitadoras, brincalhões, resmungões, até vocês que punham a música alta nos autocarros.
Falta-me o sabor das bolachas que partilhei com ela a bordo de um double-decker que já nem sei para onde nos levava mas que nos levava para um sonho meu qualquer, há já muito criado.


Tenho saudades das canecas castanhas, do chão atapetado, das escadas altas e do pequeno quarto onde dormia. Tenho saudades das refeições pré-feitas, do jardim e de regar as suas flores, das brincadeiras com o pequenino e dos vizinhos tão simpáticos.
Subindo a rua, podia encontrar o primeiro lugar que conheci quando lá cheguei e que nunca me vai sair da memória. Ao fundo da rua, comprava como uma criança, bilhetes de transporte por duas libras. Era tão fácil viver nessa altura...
Numa altura em que nós não existíamos ainda, nem eu sonhava que vinhamos algum dia a existir. Era apenas eu e o meu mundo tão fechado e tão aberto. Tenho tantas saudades...
Nunca mais me vou esquecer do passeio pelo rio, das fotografias no cemitério, das minhas idas medrosas à estação de comboio e das viagens até Victoria. Nunca mais me vou esquecer dos feijões e dos ovos ao pequeno-almoço, das perguntas pelas direcções, da primeira vez no teatro...
Não me vou esquecer jamais daquele parque infantil, da grande rua que subia ou descia dependendo da direcção, do marco do correio, das paragens confusas, das horas de ponta no comboio ao vir para casa, da primeira refeição...
Lembro-me como se fosse ontem, quando comprei dois livros iguais. Um para mim, outro para ti com uma dedicatória tola. Eram tempos tão fáceis, e ao mesmo tempo tão difíceis...
Tenho saudades dos leões de pedra, dos pilares do museu, do grande relógio lá em cima, da primeira vez que a vi e que logo a amei, dos saltos dela na cama do pai, dos beijinhos dela...
- Senta-te como se fosses uma princesa, Natalie! - dizia eu para lhe tirar uma fotografia.
- Não sou uma princesa, sou uma rainha!
Fosses o que fosses, até uma sem abrigo, amar-te-ia na mesma. És tão linda e estás enorme, e com 6 anos, já podes ir à escola. Já sabes ler e escrever, e até já sabes contar. O que eu dava para passar um dia que fosse contigo, como o único dia que passei há já tanto tempo... 13 de Agosto de 2007.
Imagino como te pareças agora - esses olhinhos em bico, o sorriso adocicado, sempre malandrinha e a trocar o inglês sempre com o japonês. E bastou-me um dia para te amar.
Faltam-me os tickets, os talões das compras, os queijinhos em palito, as molas de madeira e os lugares do carro ao contrário. Tantas memórias que podia ficar aqui a noite inteira a descrevê-los: os vinte e quatro dias que aí passei, irrepetíveis, intocáveis e demasiado importantes para os esquecer.
Quem me dera voltar àquele tempo. Agosto de 2007 é sinónimo de liberdade e paz interior, quando ainda não tinha envergado na pior aventura de uma vida. Todas as discussões dessa altura parecem hoje muito mais suaves. Passaria por todas outra vez, não me importaria com nada. Nem me importaria de lavar a loiça, nem de regar as plantas, nem de ir com ela ao museu nem ao teatro, e se pudesse, veria televisão com ela todas as noites para não se sentir sozinha. Apanharia o mesmo autocarro, o T33, e o mesmo comboio para Londres, visitaria os mesmos lugares e tirava fotografias com as mesmas pessoas.
Nem imaginas quantas saudades eu tenho de ti.
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quinta-feira, 7 de maio de 2009

As aventuras de Sara e Yucânia na terra dos bifes


Não acredito, Yucânia como pudeste meter este vídeo tão intímo no youtube! :p
Agora vou ter de o mostrar a toda a gente.

Verão de 2007, a sara perrault tinha prai 16 anos. Ai que saudades!